O Homem é sujeito de Direitos, largamente consagrados, embora demasiado frequentemente desrespeitados, mas é igualmente sujeito de Deveres, deveres cujo objecto é, também, em muitos casos, o próprio Homem. Será que alguma vez alcançaremos o pleno respeito pelos Direitos do Homem não sendo pelo efectivo cumprimento por parte do Homem, de todos os homens e mulheres, dos seus Deveres? E quais são esses Deveres? Contribuir para uma definição dos Deveres do Homem é o horizonte deste projecto.
 
 
 
Consideramos o homem como um ser gregário, dotado de direitos e deveres que estruturam a sua vida e a sua convivência em comunidade;
Consideramos que a existência de direitos individuais, conferidos a todos os homens, é um pressuposto para a liberdade, para a justiça e para a paz;
Consideramos que existem diversos instrumentos, declarações e cartas universais que consagram os direitos do homem nas suas diferentes áreas;
Consideramos que os direitos do homem universalmente consagrados são um postulado das garantias que os Estados devem oferecer, promover e garantir a todo o ser humano;
Consideramos que, em comunidade, verifica-se a existência não apenas de direitos, mas igualmente de deveres que comprometem os indivíduos;
Consideramos que o cumprimento dos deveres em sociedade não deverá radicar exclusivamente, mas sim de uma forma subsidiária, na acção ou do impulso de entidades governamentais;
Consideremos que a cada homem cabe o cumprimento de deveres individuais que servirão para melhor alcançar o sentido e a concretização da liberdade, da justiça e da paz;
Consideramos que para uma vivência plena e alargada dos direitos universalmente consagrados torna-se necessário que cada ser humano seja um parceiro activo no respeito pelos deveres que lhe incumbem;
Consideramos que uma concepção comum destes deveres do Homem é de reconhecida importância para dar plena satisfação aos direitos universais.

Neste sentido, o Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português apresenta, no quadro e em resultado de um processo de reflexão e participação interna, a presente proposta de Carta dos Deveres do Homem, verdadeiro rol das obrigações que individualmente devem ser promovidas e cumpridas a fim de se alcançar uma plena expressão da responsabilidade individual na prossecução do bem comum, uma plena realização comunitária dos direitos universais e uma plena vivência em liberdade, justiça e paz.

- O EU

O Homem tem o dever de procurar a verdade.

A verdade, que é e que está para além do homem, esclarece e ilumina o caminho e a existência do próprio homem. Questionar a sua existência, e as razões e circunstâncias desta, é elemento identitário do ser humano. Conhecer-se, compreender o mundo à sua volta, ir além dos sentidos, buscar conhecimento e sentido são desafios do homem, de cada e de todos os homens.

O Homem tem o dever de ser pessoa de valores.
Os valores são a base da existência e da convivência humana. Fonte do julgamento e atitude individual, a sua assumpção particular confere identidade a cada homem, estruturando a convivência social e cultural dos homens. Não pode o homem, em diálogo com o outro, deixar de se firmar e crescer num quadro de valores e de o assumir nos gestos do seu quotidiano.

O Homem tem o dever de procurar melhorar a sua condição.
A condição particular de cada homem não é algo, à partida, fruto de escolha pessoal; fruto de escolha pessoal é a atitude perante esta: a conformidade ou a busca de melhor. Cada homem tem, simultaneamente limitações e potencialidades, estando nas suas mãos aceitar aquelas e desenvolver estas, na busca da sua felicidade.

O Homem tem o dever de viver em harmonia com o tempo e dele dispor criteriosamente.
O tempo enquadra o homem e a sua existência. Está para além do homem, marca toda a sua existência e o sentido que à mesma se confere. A efemeridade e a progressividade da existência terrena estão para além das possibilidades de acção do homem, pelo que só a sua aceitação serena permite encontrar sentido no tempo. Desafio para cada homem é sintonizar o ritmo da sua vida com o ritmo do tempo, nem desperdiçando-o nem vivendo contra ele, mas vivendo-o com sentido.

- O OUTRO

O Homem tem o dever de preservar a família.
A família é a mais antiga e natural forma de agregação do homem. Viver a família ou viver em família é algo intrínseco ao próprio homem. Na família, o homem nasce, cresce, realiza-se; na família, o homem encontra – em primeira mão – acolhimento e cuidados na sua fragilidade. Preservar a família é integrá-la, acolhendo-a e sendo nela membro activo, num espírito de comunhão e de convivência intergeracional que é estruturante do próprio homem.

O Homem tem o dever de respeitar o outro e a sua consciência, promovendo a concórdia.
O outro é tanto pessoa como o eu, ainda que muito diferente possa ser do eu. Cada homem é único, nasce no seio de diferentes culturas e tradições, tem diferentes crenças e opiniões, tem as suas próprias experiências de vida. Cada homem deve ver no outro um outro eu, respeitá-lo na sua individualidade, para além de toda a sua diferença, respeitar a sua consciência, livremente formada, e promover uma sã convivência entre todos; uma convivência onde a individualidade de cada um é expressão da sua liberdade e o respeito mútuo o garante da concórdia social.

O Homem tem o dever de participar activamente na prossecução do bem comum.
O bem comum é a realização plena de uma comunidade enquanto realização integral de cada um e de todos os seus indivíduos. Só na realização plena de todos os indivíduos se concretiza a realização plena do homem. A cada homem cumpre contribuir activamente não apenas para o seu bem pessoal, mas igualmente para o bem do todo social.

O Homem tem o dever de proteger, fazer crescer e transmitir a herança que gerações lhe legaram.
Gerações precedem cada homem, gerações suceder-lhe-ão. No curso do tempo, uma herança – patrimonial, cultural, civilizacional – vai atravessando gerações, passando de umas para outra acumulando-se, aperfeiçoando-se, adaptando-se. É uma linha de continuidade onde cada homem participa, primeiro recebendo, por último transmitindo, marcando-a, no ínterim, com o seu cunho pessoal. Um cunho, mais ou menos marcante, mas que assegure uma harmoniosa continuidade da linha.

- A NATUREZA

O Homem tem o dever de preservar a natureza em todas as suas formas.

A natureza, diversa e pluriforme, constitui a base material da existência humana; nela o homem se insere, nela o homem se move, nela o homem desenvolve a sociedade, a cultura e a civilização. Cabe ao homem, a cada homem, procurar garantir que a sua presença e desenvolvimento não atentam contra a preservação e continuidade da biodiversidade.

O Homem tem o dever de beneficiar sustentadamente dos recursos naturais.

Os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento humano e tem o homem o direito a utilizá-los e deles beneficiar nesse intuito. Utilização que é direito, utilização que se torna um dever no que respeita à forma como se deve concretizar. Na natureza, o equilíbrio – nas mais diversas dimensões – é factor essencial de continuidade e preservação. A sustentabilidade na utilização é um dever de cada um e de todos os homens.

Lisboa, 10 de Dezembro de 2009,
no 61.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
 
 
Em 10 de Dezembro de 2008 celebraram-se os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem e teve início o Ano Internacional da Aprendizagem dos Direitos Humanos que se prolongará ao longo de todo o ano de 2009. Ao longo de 2009, o Corpo Nacional de Escutas (CNE) continuará a viver o Caminho até ao Verão, para depois, com o novo ano escutista iniciar uma vivência dedicada aos Valores.
 
 
 
A proposta de elaboração de uma Carta dos Deveres do Homem é dirigida aos Pioneiros/Marinheiros e Caminheiros/Companheiros, consubstanciada em diversas áreas de actuação (ex: Ambiente; Educação, Saúde, Religião, Cultura, Social, Desporto, etc) e que deverá conter os principiais deveres que homens e mulheres devem respeitar na sua vida e no mundo.
O processo de participação passará sempre através do site deste projecto – www.deveresdohomem.cne-escutismo.pt e terminará com um documento a apresentar publicamente no dia 10 de Dezembro de 2009 (data de aniversário da Declaração dos Direitos do Homem). Até lá, e após a fase de recolha das sugestões de Deveres do Homem que durará até Julho de 2009, existirá um Comité de Redacção que irá elaborar uma versão preliminar da Carta a apresentar a um Conselho Consultivo constituído por personalidades de reconhecido mérito de diversas áreas da nossa sociedade, com quem os participantes deste projecto terão oportunidade de reunir e colaborar para a versão definitiva da Carta dos Deveres do Homem.
 
 
 
Maio
Lançamento do Projecto
 
Maio - Julho
Período de reflexão e debate nas Unidades e envio de sugestões de redacção
 
Agosto
Classificação das sugestões apresentadas
 
Agosto - Setembro
Sintetização das sugestões enviadas
 
Setembro
Comité de Redacção prepara a versão preliminar
 
Outubro
Leitura e comentário do Conselho Consultivo
Conselho Consultivo reúne com Pioneiros/Marinheiros e Caminheiros/Companheiros
 
Novembro
Comité de Redacção prepara a versão pré-definitiva
 
Dezembro
Apresentação pública da Carta dos Deveres do Homem
Audiências para apresentação institucional da Carta dos Deveres do Homem
 
 
 
Declaração Universal dos Direitos do Homem
   
Site oficial dos Direitos Humanos
   
Site oficial dos Direitos Humanos em Portugal
   
História dos Direitos Humanos e os seus precedentes
 
 
 
Carta dos Deveres do Homem - versão final
   
Logotipos da iniciativa
   
Imagem da iniciativa (impressão digital)
   
Cartaz de lançamento
   
Cartaz com o prazo alargado
   
Documento explicativo da iniciativa
   
Artigo 1 na Revista Flor-de-Lis
   
Vídeo de apresentação
 
 
 
I online
   
Agência Ecclesia
   
Fátima Missionária
   
Viseu Mais
   
Antena Sul
 
 
 
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Mais informações através do email contributos(at)deveresdohomem.cne-escutismo.pt